A Alibaba bane o Claude Code por medo de backdoor, e as big techs disputam espaço direto com o governo dos EUA.
Curadoria de Thiago Lourenço Martins
A partir de 10 de julho, a Alibaba vai proibir seus funcionários de usar o Claude Code, a ferramenta de programação por agente da Anthropic. A gigante chinesa classificou o software como "de alto risco", citando temor de acesso backdoor a dados internos, e orienta o time a migrar para o Qoder, sua própria ferramenta de codificação por IA. A Anthropic, por sua vez, já bloqueia empresas chinesas de usar seus modelos e vem fechando brechas de acesso.
É a escalada mais recente de uma queda de braço que já vinha esquentando: a própria Anthropic acusou a Alibaba de operar 25 mil contas falsas pra "destilar" o Claude em modelos próprios (Radar de 28/06). Agora é a Alibaba quem bane o produto da rival internamente — formalizando a desconfiança mútua entre as duas maiores potências de IA do mundo.
Se sua empresa usa ferramentas de codificação por IA com acesso a repositórios sensíveis, é hora de revisar a política de permissões e origem dos dados. O caso mostra que gigantes com times de segurança robustos já tratam esse tipo de ferramenta como superfície de risco — não só de produtividade.
Segundo reportagens, a OpenAI sinalizou disposição em ceder uma fatia de 5% da empresa ao governo americano — possível início de uma série de participações estatais em empresas de IA. No mesmo pacote de notícias, a Anthropic teve parte das restrições de exportação de seus modelos mais avançados flexibilizada pelo governo dos EUA, enquanto a Meta avança para virar fornecedora de nuvem (neocloud).
Mostra o quanto o governo americano está se entrelaçando com as maiores empresas de IA — seja como sócio, seja como regulador que decide quem pode vender o quê pra quem. Pra empresas que dependem de modelos de fronteira, a política de Washington virou parte do roadmap de produto.
Acompanhe de perto as licenças de exportação se sua operação depende de modelos de ponta fora dos EUA — o caso mostra que essas regras estão mudando rápido e caso a caso, não como política fixa.
Alexandr Wang, chefe de superinteligência da Meta, afirmou que o modelo em treinamento, codinome Watermelon, já iguala o GPT-5.5 da OpenAI em benchmarks internos — usando muito mais poder computacional que o antecessor, Avocado. Dias antes, em reunião interna de 2 de julho, o próprio Mark Zuckerberg admitiu que o progresso dos agentes de IA da empresa ficou abaixo do esperado. A Meta projeta gastar entre US$ 125 bi e US$ 145 bi em IA neste ano.
É um retrato de duas velocidades dentro da mesma empresa: o modelo de linguagem avança, os agentes autônomos ainda travam. Pra quem decide qual "IA da Meta" usar, o recado é claro: aposte no modelo, desconfie do agente — por enquanto.
Antes de migrar fluxos de trabalho pra agentes autônomos de qualquer fornecedor, valide com um piloto pequeno — mesmo empresas com bilhões investidos ainda erram a mão nessa parte.
O Google adiou o lançamento geral do Gemini 3.5 Pro pra julho, citando ajustes de qualidade após testes com clientes corporativos. O atraso reforça a pressão sobre a Alphabet, que já havia registrado sua pior sessão em bolsa em mais de um ano depois que pesquisadores de peso — como Noam Shazeer e o Nobel John Jumper — anunciaram saída do Google DeepMind rumo a OpenAI e Anthropic (tema do Radar de 28/06).
Confirma que a fuga de talentos do DeepMind, iniciada em junho, está tendo efeito concreto no roadmap de produto do Google — não é só ruído de bastidor, é atraso de lançamento e reação do mercado.
Pra quem constrói produto em cima da API do Gemini, vale monitorar o cronograma de perto e ter um plano B de modelo — atrasos em labs de ponta tendem a se repetir quando há saída de talento-chave em sequência.
A Meta está estruturando uma nova frente de negócio, apelidada internamente de "Meta Compute", pra vender capacidade computacional e acesso a modelos de IA a clientes externos — entrando de vez na disputa com AWS, Azure e Google Cloud. A iniciativa, liderada pelo time de infraestrutura de Santosh Janardhan, mira monetizar o excesso de capacidade dos data centers da empresa. Zuckerberg já sinalizou abertura pra vender esse excedente como forma de recuperar o investimento.
Se a Meta virar fornecedora de nuvem de IA, o mapa competitivo muda: quem hoje só disputa usuário final (Instagram, WhatsApp, Llama) passa a disputar também empresa que quer rodar modelo de IA em infraestrutura de terceiros.
Empresas que compram capacidade de GPU e nuvem de IA ganham, em tese, mais um fornecedor no mercado em breve — vale acompanhar preço e condições quando a oferta da Meta for lançada, pode virar moeda de barganha com AWS e Google.
A Together AI, especializada em hospedar modelos de IA open-source, levantou US$ 800 milhões em rodada liderada pela Aramco Ventures — mais que dobrando sua avaliação, que era de US$ 3,3 bilhões no início de 2025.
É um dos maiores sinais de que o mercado aposta pesado em infraestrutura pra rodar modelos abertos como alternativa mais barata aos modelos proprietários — parte da corrida por "IA mais barata" que vem definindo o segundo semestre de 2026.
Se sua empresa está avaliando custo de IA, vale comparar preços de provedores como a Together AI com os modelos proprietários — a aposta bilionária do mercado é que essa diferença de custo só vai aumentar.
A Federal Trade Commission dos EUA publicou, em 1º de julho, uma proposta de política que trata como prática enganosa quando empresas de IA direcionam as respostas de seus modelos pra uma agenda ideológica não revelada. A proposta nasce da ordem executiva 14365 e discute também a prevalência de regras federais sobre leis estaduais conflitantes, como o Colorado AI Act (em vigor desde 30/06).
É o primeiro movimento concreto do governo federal americano pra tentar padronizar, em nível nacional, como a IA generativa deve se comportar — competindo direto com iniciativas estaduais que já estavam em vigor.
Empresas que usam IA generativa voltada ao consumidor nos EUA devem documentar e divulgar de forma clara qualquer "prioridade operacional" que direcione respostas — a proposta da FTC trata a falta de transparência como prática enganosa.
Um levantamento da Ramp com a Revelio Labs mostra que empresas que investem forte em IA aumentaram o quadro de funcionários em 10% em dois anos — com contratação de nível de entrada crescendo 12%. Empresas com baixo uso de IA, ao contrário, reduziram o quadro. Os autores alertam, porém, que negociações que atribuem cortes de pessoal à IA merecem ceticismo: parte pode ser só corte de custos disfarçado.
Contraria o medo generalizado de que investir em IA signifique demitir. Reforça um padrão que o Radar já vinha observando (edição de 30/06): quem adota IA pesado tende a crescer o time, não encolher.
Se você lidera contratação, monitorar o quanto sua empresa investe em IA pode ser tão relevante quanto olhar métricas de receita pra prever se o quadro vai crescer ou encolher nos próximos dois anos.
Segundo a Crunchbase, o volume já supera todo o ano de 2025 (US$ 440 bi) — sinal de que o boom de IA ainda acelera, não desacelera.
→ news.crunchbase.comEm disputa judicial com três estúdios que a acusam de treinar modelos com conteúdo protegido, a Midjourney pede na Justiça que eles mostrem o próprio uso de IA.
→ techcrunch.comCalifórnia passa a exigir que professores em escolas públicas sejam humanos; Nova Jersey aprova o "Kids Code Act", mirando proteção infantil no design de produtos digitais com IA.
→ transparencycoalition.aiReceba o Radar IA todo dia no WhatsApp.