As novidades de IA que mexem com o seu trabalho — destrinchadas, com a fonte e o que fazer com cada uma.
Curadoria de Thiago Lourenço Martins
A Moonshot AI (China) lançou o Kimi K2.7-Code, modelo open-source de codificação no Hugging Face e via API. Ele usa 30% menos tokens de raciocínio que as gerações anteriores, atinge 81,1% no benchmark MCPMark de uso de ferramentas — contra 76,4% do Claude Opus 4.8 — e custa US$ 0,95 por milhão de tokens de entrada, compatível com as APIs da OpenAI e da Anthropic.
Pela primeira vez um modelo open-source chinês supera o topo da Anthropic em testes práticos de agentes. Para quem constrói automações, é um salto de qualidade sem o custo dos modelos proprietários — e dá pra auto-hospedar, sem depender de API externa.
Se você usa Claude Code ou ChatGPT pra automação com ferramentas MCP, vale testar o Kimi K2.7 como alternativa mais barata nas tarefas repetitivas. A compatibilidade de API facilita migrar sem reescrever código. Quem adota agora sai na frente.
A OpenAI anunciou a aquisição da Ona, startup de execução em nuvem segura com 2 milhões de desenvolvedores. A ideia é integrar a tecnologia ao Codex, deixando agentes trabalharem por horas ou dias dentro da nuvem do cliente, com controle total de segurança, credenciais e logs. O Codex já atende 5 milhões de usuários por semana — alta de 400% no ano.
Até agora os agentes ficavam presos a uma sessão aberta. Com a Ona, você delega um trabalho complexo de engenharia e o agente executa enquanto você está em reunião — ou dormindo. É a diferença entre um assistente de digitação e um funcionário autônomo.
O mercado de agentes persistentes está abrindo agora. Quem aprender a delegar tarefas de 8 horas pra agentes autônomos em 2026 cria uma vantagem operacional que leva anos pra ser copiada.
O Google redesenhou a página de resultados: as respostas geradas por IA dominam a tela principal e os links tradicionais foram para um painel lateral estreito. Junto, o Google cortou o preço da assinatura AI Plus e ampliou o armazenamento incluso — uma jogada agressiva no mercado de IA pro consumidor.
É o fim dos "10 links azuis" como padrão. Todo negócio que vive de tráfego orgânico do Google precisa ser revisto agora — publishers, blogs, e-commerces e qualquer site que dependa de visita vinda da busca entra numa nova realidade.
Quem migrar o conteúdo pra formatos que a IA do Google cita (entidades claras, dados estruturados, fontes primárias) ganha espaço antes da concorrência. Em paralelo: construir audiência própria via WhatsApp, e-mail e comunidade nunca foi tão crítico.
A Visa fechou parceria com a OpenAI pra permitir que agentes do ChatGPT conectem o cartão e executem compras de forma autônoma — dentro de limites de gasto definidos por você, com antifraude e direito a contestação. O agente pesquisa, decide e finaliza sem interação humana.
O "agente de compras" saiu do paper e foi pra carteira do consumidor. Pra quem trabalha com e-commerce, marketplace ou vendas: se o seu site não for fácil pro agente navegar e comprar, você perde conversão pra quem for.
Comece auditando a loja: título de produto claro, descrição completa, preço sem pegadinha. O agente é o comprador mais literal que existe — ele não adivinha informação faltando. Quem otimizar pra agente ainda em 2026 abre vantagem enorme.
A Coinbase lançou agentes de IA que executam trades, rebalanceiam carteiras e compram relatórios de pesquisa premium de forma autônoma em nome do usuário. É a primeira exchange regulada de grande porte a oferecer trading autônomo por IA pro varejo.
É um marco de mercado e regulatório: se uma exchange regulada pode oferecer isso, outras vêm atrás. O precedente pressiona bancos e fintechs — e abre o debate sobre quem responde quando o agente erra um trade.
Pra quem é de finanças, fintech ou regulação: é a prova de conceito que o setor esperava. A chance está em entender os limites legais antes do regulador brasileiro se posicionar — quem chegar com base sólida primeiro se destaca.
A Prometheus, co-fundada por Jeff Bezos e Vik Bajaj (ex-Google Life Sciences), captou US$ 12 bilhões na segunda rodada — avaliando a empresa de sete meses em US$ 41 bilhões. Investidores: Goldman Sachs, BlackRock e JPMorgan. Total levantado: US$ 18,2 bilhões. Foco: IA pra engenharia física — motores, dispositivos médicos e compostos farmacêuticos.
A maior rodada de IA física da história. Bezos aposta que a próxima onda de valor não é software — é IA pro mundo físico. Uma empresa de 150 pessoas vale US$ 41 bi. O argumento: a IA não vai criar desemprego em massa na indústria, vai criar escassez de engenheiros bons o bastante pra supervisionar os sistemas.
Quem dominar a interface humano-IA na engenharia física vai ser raro e muito bem pago. O sinal de Bezos é claro: a próxima onda é pra quem unir conhecimento técnico de domínio (indústria, saúde, infra) com fluência em IA. Essa combinação será escassa por anos.
A legislatura de Nova York aprovou um projeto — à espera da assinatura da governadora Hochul — que exige que bots de IA que raspam sites de notícias se identifiquem. Se sancionada, NY vira o primeiro estado dos EUA a proibir o scraping oculto de IA que cause dano econômico à imprensa.
Primeiro precedente regulatório nos EUA pra controlar como empresas de IA coletam dados de treino. Abre caminho pra outros estados e pode influenciar a lei federal. Pra quem depende de scraping pra treinar ou alimentar modelos, o risco legal muda bastante.
Profissionais de legal tech, compliance e publishers: a lei cria uma oportunidade concreta de especialização em conformidade de dados pra IA. No Brasil o tema ainda não tem regra — quem se posicionar como referência agora larga anos na frente.
A Anthropic publicou o Anthropic Public Record, pesquisa com 51.993 americanos. Resultados: 64% temem demissão por IA (medo #1 nos 50 estados, entre democratas e republicanos), 71% querem regulação do governo e só 15% confiam nas empresas de IA. O dado que surpreende: quem usa IA todo dia no trabalho tem 16 pontos percentuais menos medo de desemprego do que quem não usa.
Primeiro grande survey público de uma empresa de IA com dados por estado. Revela uma divisão importante: o medo vem da distância, não da experiência. Quem já usa IA no dia a dia está menos assustado — sinal de que a maioria decide por percepção, não por prática.
O abismo entre "quem usa IA" e "quem teme IA" é uma janela enorme. Quem adotar agora constrói fluência enquanto a maioria ainda está no medo. Em dois anos, essa diferença vai pesar na carreira tanto quanto saber Excel pesou nos anos 2000.
A Tata Consultancy Services vai usar Claude internamente e construir produtos pra clientes em finanças, saúde e setor público. Dario Amodei destacou a Índia como segundo maior mercado da Anthropic.
→ anthropic.comAI Foundations, Applied AI Foundations e Agents & Workflows — feitos com Accenture, BCG e BBVA. Certificado de conclusão incluso, em academy.openai.com.
→ openai.comApp pra macOS/Windows que lê arquivos locais, dirige um navegador real e agenda tarefas. Roda até 300 sub-agentes ao mesmo tempo. Disponível agora.
→ kimi.comPesquisador do NIST usou lógica ligada aos teoremas de Gödel pra provar que nenhum conjunto finito de regras de segurança é robusto contra todo ataque. Monitoramento contínuo é a única saída.
→ nist.govO IPO da SpaceX (SPCX) abriu a US$ 150/ação e levou o patrimônio de Musk a passar US$ 1 trilhão. A SpaceX tem contratos de compute de IA com Anthropic (US$ 1,25 bi/mês) e Google (US$ 920 mi/mês).
→ theverge.comA Anthropic pediu desculpas e reverteu uma política oculta no Fable 5 que degradava as respostas em silêncio quando o usuário tentava usar os outputs pra treinar outros modelos. Descoberta só por testes externos.
→ gizmodo.comReceba o Radar IA todo dia no WhatsApp.